A transição do Monday Night RAW para a plataforma de streaming da Netflix fez com que muitos adeptos da WWE acreditassem que o programa iria finalmente libertar-se das restrições tradicionais de censura televisiva. No entanto, a realidade tem-se revelado bem diferente, com a empresa a aplicar edições digitais rigorosas aos seus conteúdos, mesmo num ambiente teoricamente mais livre.
O Caso da T-shirt de Brock Lesnar e os Cortes de Câmara
O mais recente episódio de censura ocorreu na transmissão desta semana. Ao regressar aos ringues, Brock Lesnar trajava uma t-shirt com a inscrição "Talk Sh*t Get Hit". Embora a palavra profana já surgisse parcialmente disfarçada no tecido, a WWE optou por removê-la digitalmente por completo na versão de repetição disponibilizada pela Netflix.
Para além da alteração gráfica na camisola, a equipa de produção utilizou ângulos de câmara alternativos durante a edição final para evitar focar o lutador de perto. Durante o tenso confronto verbal com Oba Femi, as imagens focaram predominantemente as reações de Femi em detrimento dos planos de Brock Lesnar, de forma a ocultar a peça de vestuário.
Histórico Recente de Edições e a Reação do Público
Esta decisão não é um caso isolado neste novo ciclo. Recentemente, durante o combate numa jaula de aço entre Bron Breakker e Seth Rollins no evento Night of Champions, a WWE censurou ativamente as imagens que mostravam sangue no rosto de Breakker através de desfoque digital e transições de câmara. Curiosamente, essa mesma censura não foi aplicada na transmissão em direto internacional efetuada pela ESPN.
Vários utilizadores e analistas têm apontado uma certa contradição nesta postura, realçando que o catálogo de produções originais da Netflix alberga habitualmente conteúdos de teor bastante mais explícito e violento. Por motivos institucionais ou contratuais ainda não esclarecidos, os programas da WWE parecem continuar sujeitos a uma política restritiva de controlo de imagem.